O que você precisa saber sobre inteligência artificial no poker – Parte 2

Se você não leu a primeira parte, sugiro que a faça nesse momento clicando aqui, antes de ler a segunda parte. Com a leitura em dia, vamos em frente.

A vitória do Libratus é importante sim para a comunidade em geral mas o que isso significa para nós, meros jogadores recreativos de poker? Significa simplesmente NADA.

Cito aqui, em tradução literal, Sean Chaffin em seu artigo no Poker News (clique aqui para ler este artigo, que me inspirou a escrever sobre o tema aqui no blog):

“Para mim, essa disputa entre homem versus droid/computador/software/techno-gizmo não tem sentido sem o único aspecto que faz o poker ser único: o risco. É a razão pela qual jogar poker online de graça ou jogar com sua avó por “feijõezinhos” é tão sem graça. Não tem risco nenhum em você perder seu dinheiro.”

O aspecto financeiro no poker é muito importante. Você não joga (ou ao menos não deveria) jogar torneios fora do seu controle de bankroll. E quando estamos perto de uma grande premiação, podemos sentir a “pressão pelo dinheiro” e evitar se comprometer em jogadas duvidosas. Muitos jogadores profissionais de poker já disseram ter largado mãos fortes pre-flop devido estarem próximo à um ITM (in the money, faixa onde determinados jogadores são premiados no torneios) só para não perderem antes dessa faixa.

O Libratus não tem nenhum senso de perda ou risco. E mais, mesmo sabendo a teoria do blefe, existe uma grande diferença entre blefar e ver todas as suas fichas ali no meio do pote, sabendo que você não tem bulhufas na mão.

O que aconteceu foi que o Libratus enfrentou quatro jogadores profissionais sem ter essa noção de risco financeiro porque, para ele, isso não importa. E para um fã de poker, ver e sentir essa emoção gera uma adrenalina muito alta no jogo. Quanto não temos isso, o jogo perde a graça.

O poker é o que é porque é um jogo inteiramente feito para as próprias pessoas. Um mestre de poker sabe dominar seus sentimentos e emoções e por o outro jogador a prova disso também. Um exemplo que temos atualmente dessa adrenalina e desse controle de emoções foi o que aconteceu no ME (Main Event, torneio principal) da WSOP (World Series of Poker) em 2016, onde o jogador William Kassouf desestabilizou a mesa inteira com suas “jogadas”. Os outros jogadores não suportavam sua presença. Embora muito questionado, ele foi a atração principal, roubou a cena e tornou o programa mais atrativo. Isso seria muito difícil do Libratus fazer…

Não desmerecendo também os jogadores atuais, mas Kasparov era, definitivamente, o melhor do mundo em xadrez, enquanto esse quatro profissionais são bons, são regulares, mas não são os melhores do mundo. Até porque ser o melhor do mundo no poker é uma coisa difícil de se definir. São tantos nomes, em diversas modalidades que é difícil encontrar uma lista em que todos aceitem o resultado.

Parafraseando mais uma vez Sean Chaffin, em tradução literal:

“ Libratus pode até ter vencido a batalha contra a humanidade, mas realmente havia uma guerra alí? Não estou convicto de que essa batalha signifique muita coisa no cenário moderno do poker.”

Sendo assim, o que você precisa saber sobre inteligência artificial no poker é que:

– ela existe e está sendo usada contra você

– você precisa estudar mais sobre o jogo, tanto na teoria como na prática

– os sites de poker precisam ser constamente cobrados quanto a segurança para não enfrentarmos os bots

– Texas Holdem pode estar no seu ápice, mas existem outras modalides (Razz, Stud, Omaha) que ainda são pouco conhecidas

– você também pode usar uma “inteligência artificial” como o software Holdem Manager, Jivaro ou Poker Tracker, que analisam mãos em tempo real lhe fornecendo estatísticas para sua tomada de decisão

No final das contas, vai depender se você vai deixar ser batido ou não.

Espero que tenham gostado e até breve.

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4 comentários sobre “O que você precisa saber sobre inteligência artificial no poker – Parte 2

  1. Estava escrevendo justamente sobre a relação Libratus/Kassouf ahahha. Entendo que a ideia de risco (não há para o computador mas há para humanos) fica sobreposta pela ordem emocional, no sentido que Libratus não se afeta como os jogadores durante a disputa, e isso parece ser determinante para o desfecho.

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